Visita ao Ginásio Clube Figueirense

24/01/2019

in: Figueira na Hora

CNAFF visitou Museu e Arquivo histórico do Ginásio

Num gesto de cortesia, os dirigentes do Clube Náutico da Figueira da Foz (CNAFF), acompanhados de familiares, preencheram a manhã do último sábado a visitar o Museu e Arquivo Histórico do Ginásio Clube Figueirense.

Iniciado em 1998 e inaugurado pelo Presidente da República em 2003, este espaço é algo que a maioria dos figueirenses desconhece e que tem recebido os maiores elogios de todas as entidades, reconhecendo ser um dos melhores no país.

Acompanhados pelo conservador e um dos mentores deste espaço, José Rolinho Sopas (outros houve que também foram fundamentais na criação deste espaço, nomeadamente Elísio Godinho, Jorge Rigueira, Galamba Marques ou Francisco Simões entre outros), foi explicando pormenorizadamente cada detalhe do percurso que se iniciou pelos espaços da área administrativa.

A comitiva passou pela secção onde estão guardados alguns do primeiros equipamentos desportivos do clube nos finais do século XIX e início do século XX, como floretes, patins, armas, halteres, etc,, bem como cartazes/programas e fotografias das mais diversas actividades do Ginásio e outras colectividades, mobiliário das mesmas épocas que tem acompanhado o Ginásio ao longo da sua história de 125 anos.

Contudo, a secção que mais prendeu a atenção dos visitantes foi o Arquivo, que reúne milhares de documentos e fotografias, a quase totalidade já digitalizada, onde foi possível verem documentos centenários, nomeadamente algumas parcerias com o Coliseu Figueirense (o Ginásio costumava organizar garraiadas e touradas para angariar fundos).

José Sopas mostrou o contrato celebrado no início do século passado, em que um espectáculo taurino orçava em pouco mais de mil escudos (cinco euros hoje), incluindo os touros que vinham de Formoselha, o feno que os alimentava até chegarem à Figueira da Foz e no regresso, o pessoal que os acompanhava ao longo do percurso, todo o pessoal da praça, cavaleiros, etc.

Ainda neste departamento apreciaram alguns documentos de figueirenses ilustres (entre eles António Mendes do Amaral). Uma pasta que reúne alguma da sua história, do seu percurso de vida, louvores ou distinções entre outras informações, serviu apenas para demonstrar como funciona o arquivo do Ginásio no que diz respeito a figueirenses, num universo de algumas centenas, sejam eles ginasistas ou não.

Seguiram-se as salas de troféus e outros documentos e objectos, onde há algumas raridades, mas convém lembrar que o incêndio em 1914, no Teatro Príncipe, dizimou todo o património do clube, esse sim valioso, porque eram em prata e até ouro, ficando apenas um pequeno monte derretido de todos os troféus, que também está patente.

Depois da visita seguiu-se um almoço no “Vai d´Arrinca”, onde houve lugar a algumas intervenções de circunstância, com Miguel Amaral a referir que “o Ginásio é um exemplo do melhor que há no associativismo e hoje tivemos aqui um verdadeiro banho de cultura e organização”, salientando mesmo que o que viram “deveria ser visto por todos os clubes figueirenses, para verem o que é organização” disse o presidente do CNAFF.

Este Museu é sinónimo de “carinho, amor ao associativismo, é um clube com memória”, mas cada vez mais, continuou Miguel Amaral, “as grandes superfícies que ganham milhões e poderia ajudar o associativismo passam ao lado de tudo isto e desinteressados em colaborar” concluiu.

Também vários dirigentes do Ginásio (Joaquim de Sousa, Ana Rolo e António José Rolo) acompanhara a visita, mas foi o presidente da assembleia geral que agradeceu a presença do CNAFF “um clube sólido e com estabilidade consistente” que vai cumprindo bem a sua tarefa nos desportos náuticos, que em nada colidem com os do Ginásio. Joaquim de Sousa lembrou mesmo que em tempos houve quem quisesse criar uma secção náutica, mas a direcção não permitiu porque na cidade já existia o CNAFF

Este encontro pode ter marcado o início de uma parceria entre ambas as colectividades, com o Ginásio a manifestar total apoio na próxima Subida do Mondego, organizada pelo CNAFF, disponibilizando as suas instalações na Fontela e a oferecer o almoço aos participantes, entre outras iniciativas conjuntas que podem ir por diante.

(José Santos)

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