Intervenção do Presidente do CNAFF na CMFF

17/02/2017

Senhor Presidente, o que nos traz hoje aqui, prende-se com a iniciativa tomada pela CMFF em colocar novos quiosques na cidade.

À partida tudo estaria certo e muito bem, não fosse uma questão muito particular que se prende com o assunto, ou seja, o tipo de quiosque em causa, um modelo que em 2014 o CNAFF apresentou junto da CMFF solicitando parecer favorável para que pudesse implantar uma unidade a ser explorada por este Clube na  Av. de Espanha.

Na altura, os responsáveis da CMFF, na pessoa do Vereador Dr. Carlos Monteiro, e Eng Ana Carvalho receberam a ideia e ficaram fascinados, para não dizer  deslumbrados.

O CNAFF entregou  toda a documentação solicitada pelos serviços da CMFF (como V.Exas poderão constatar pelo dossier que vos foi entregue), onde houve lugar a reuniões com a arquitecta autora do projecto, e o gabinete técnico da CMFF com a participação da Sra Vereadora.

Com aquele projecto o CNAFF acabava de apresentar a ideia de recuperar o antigo e famoso Americano, procurando, assim, homenagear aquele tipo de transporte publico que por aqui andou nas primeiras décadas do século passado.

Qual o nosso espanto quando passado cerca de um ano (até lá silêncio!!!) vimos a mesma CMFF a anunciar nos órgãos de comunicação social a decisão de implantar novos quiosques, e com maior espanto, vimos a saber que se tratava do referido modelo Americano.

Mais espantados ficámos quando vieram dizer que nada daquilo que agora anunciavam tinha a haver com o projecto apresentado pelo CNAFF e que era uma ideia que tinha partido do interior da CMFF através do seu gabinete técnico.

Mas é claro Meus Senhores! É tão fácil dizer que qualquer um de nós podia ter idealizado a reprodução do Americano, pois se ele existiu e até há fotos do mesmo… qualquer um, de facto, o podia ter idealizado.

Até damos de barato que a ideia não tenha sido plagiada; até acreditamos que o projecto e maquete apresentada por uma jovem arquitecta figueirense não foi copiado; até vamos ao ponto de admitir que o trabalho deixado pelo CNAFF na CMFF foi desenvolvido na biblioteca e no museu da Carris, todo ele feito pelos senhores; aceitamos tudo isso, mas com uma ressalva, bem vincada:

            - Sabem V.Exas que por mais que se esforcem nunca nos comerão por parvos!

O resultado está à vista, não só copiaram, mas pior de tudo, copiaram mal! Antes tivessem sabido copiar. Como diz o povo: até para copiar bem, é preciso trabalhar!

Aliás, olhando para aquilo que se encontra hoje em dia na via publica, aquelas aberrações edificantes, as mesmas, realmente, nada têm a haver com o projecto do CNAFF e, desse modo, muito agradecemos que a CMFF mantenha sempre esse discurso de afastamento do projecto inicial, e da autoria do CNAFF, pois de maneira alguma o CNAFF pretende estar associado a um projecto tão fraco, tão medíocre!

Olhar para aquilo que os Senhores colocaram na rua e dizer que se está a homenagear o Americano, é no mínimo uma falta de respeito para com todos os figueirenses, e todos aqueles, que são muitos, os que gostam da Figueira da Foz.

Mas a pergunta é: porque razão não falaram connosco e não nos pediram indicações como deveriam ser efectuados os quiosques de forma a serem bem concepcionadosde modo a assumirem as parecenças com o Americano, e assim alcançarem o desiderato primordial que assenta na homenagem do Americano, e duma época áurea da Figueira da Foz

Senhor Presidente, já começa a ser gritante:

os senhores onde põem a mão têm o dom de estragar e fazer mal feito, sem arte, sem brio, sem respeito pela cidade e por quem cá mora, e quem nos visita.

Ao menos tivesse chamado aquilo um mexicano, pois mais parecem uns “sombreros amarfanhados” , ou porque não chamar um cubano já que têm ar de charuto, embora ordinário!

V.Exa já foi até à marginal nestes últimos tempos e observou aquelas aberrações ali edificadas? E acha que estão bem? Não faz nada para tirar aquilo dali? Eu sei que já se habituou ao estilo, pois tem um barracão, bem maior, implantado na zona nobre da cidade há tantos anos que para si mais barraco menos barraco pouco importa!

Pois para nós figueirenses importa-nos e muito. Sentimo-nos envergonhados!

Envergonhados pela obra má e fraca que por ali vai sendo produzida, envergonhados por quem nos governa, que nada faz para cuidar duma cidade que sempre se pautou por uma linha e uma matriz bem vincada de estancia de veraneio de primeira linha, e que em nada tem a haver com o estilo pacóvio/bacoco que agora nos pretendem impingir.

A concluir fica a pergunta: O Senhor Presidente conforma-se com a situação, entende que aqueles quiosques reúnem condições de natureza estética para estarem implantados na marginal desta cidade, ou pelo contrário, reconhece que foram mal desenhados, mal projectados e que o melhor é removê-los, e colocar ali algo que seja digno para a nossa terra?

Se precisar de ajuda conte connosco. Temos todo o prazer de dar a solução e a forma como deveriam ser projectados e construídos os quiosques a relembrar o icónico Americano.

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